1° dia – Plano A,B,C…Z em ação

Apesar de tudo planejado com certa antecedência e algumas reuniões de alinhamentos prévio, a realidade nos surpreendeu em Zahlé. Isso nos fez sair do plano A para o B e improvisarmos planos até Z.

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Foi o dia de “tirar nosso verniz”, como diziam no exército, foi o choque com a realidade. Tínhamos que fazer triagem de pacientes que só falavam árabe, na sua maioria tímidos e com uma família numerosa. O problema era que cada membro da família necessitava de um cuidado especifico: dor de dente, pediatria, ortopedia, cardiologia, etc…foi então que percebemos a necessidade de mudança na forma como estávamos encaminhando  as pessoas aos respectivos atendimentos.

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Os médicos receitavam medicamentos em inglês mas sem, de fato, conhecer as opções disponíveis aqui no Líbano, além disso, dentistas necessitavam de inúmeros materiais para os procedimentos iniciais. Resultado, nossa conta na farmácia foi altíssima logo no 1° dia de missão. Eu, como financeiro da viagem, entrei em pânico e implantamos rapidamente um plano de eficiência total para os demais dias. Com isso, padronizamos as medicações e as categorizamos por grupos de doenças, conseguimos usar as sobras dos americanos e compartilhar as caixas de remédios com mais de um paciente, ou seja, somente o necessário para o tratamento.

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Foi no primeiro dia também que percebemos que “ser um refugiado”, independe de classe social, religião ou cultura. Atendemos muitas pessoas pobres e outras com alto grau de escolaridade, tais como engenheiros, administradores e até um médico refugiado, impedido de voltar ao seu país, apareceu para nos ajudar.

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Com tudo isso, estávamos esgotados no final do dia, mas felizes com o que Deus havia preparado. Atendemos cerca de 120 pessoas, entre homens, mulheres e crianças.

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Chegamos…ufa!

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Depois de um dia e duas noite viajando chegamos ao Líbano. Afinal voamos contra o fuso, e foi muito estranho isso. Veja só, entramos no avião na madrugada de sexta para sábado e, quando começou o serviço de bordo, perguntei a aeromoça quais seriam as opções para o jantar…ela me responde: é café da manhã senhor! Escureceu novamente e foi muito rápido, nos obrigando a pular o almoço e seguir direto para o jantar. Foi aí que o nosso relógio biológico começou a entrar em pânico…era café na hora do jantar e jantar na hora do almoço.

Bom, pousamos em Istambul e ficamos por lá cerca de 3 horas no aeroporto, tentávamos entender se era hora de tomar café ou jantar, ou talvez até almoçar!

 

Chegamos a Beirute no Domingo de manhã, isso mesmo passamos o sábado inteiro dentro do avião, e lá tinha uma van nos esperando para seguirmos de carro por mais 52 Km até a cidade de Zahlé. Aqui começou o desespero, pois tínhamos que colocar todas as malas mais as pessoas em uma van não muito grande…que bom! Tudo funcionou e lá fomos nós para mais uma etapa da nossa da nossa jornada.

 

Meus Deus, o que era aquilo….contramão vale? Como essa van corre tanto com todo este peso? Esse carro não vai tombar nessas curvas com essa quantidade de mala em cima? Cadê os radares? Nunca achei que eles seriam tão necessários e até deu saudades dos radares de 50 Km da marginal. Para resumir, a viagem que duraria um pouco mais de 1 hora, foi feita em apenas 40 minutos…isso mesmo, batemos o recorde numa pista cheia de curvas…verdade, teve gente que tomou dramim antes da viagem de carro, pois fomos alertados a respeito.

 

Enfim, chegamos rápido e vivos…Graças a Deus, que nos trouxe em segurança. Depois deixamos tudo nos quartos, descansamos um pouco da viagem e começamos a arrumar tudo para o inicio dos atendimentos na manhã seguinte.

Vamos ver o que Deus irá fazer nesse período em que estaremos na Sua total dependência e graça!

O Embarque

Em meio a tanta ansiedade, dúvidas e incertezas lá estávamos nós, despidos de qualquer capacidade e grandes conhecimentos. A única certeza que temos é que Deus está conosco nesta missão.

Enquanto a maioria brincava para disfarçar a tensão, outros se concentravam e refletiam sobre tudo o que deixaríamos para trás…filhos, casa, marido, esposa, namorado, compromissos profissionais, conforto, dentre tudo que tivemos que abrir mão para, com muito amor, dedicarmos nosso tempo ao outro. Quem é este outro e como seremos recebidos? Não sabemos, apenas conhecemos de ouvir falar e lermos a respeito.

Escrevo este trecho de dentro do avião enquanto a Hellen e os demais dormem como crianças. Sabe como é…viagem com médico, todos medicados com Dramin hehehe. Faremos agora 14 horas de voo até Istambul e, de lá, partiremos rumo a Beirute.

Nem todos estão aqui conosco, Fernanda, Lorraine e Joelma partiram antes em voos e horários distintos, mas o importante é que amanhã estaremos todos juntos em Zahlé.

A Missão

Por que ir a Zahlé? Por que refugiados sírios?

Esta é pergunta que todos fazem no seu subconsciente, mas a maioria das pessoas não tem coragem de nos perguntar, afinal, existem tantas pessoas necessitadas aqui no Brasil. Pensam, mas não perguntam, apenas reagem com muita comoção porque viemos fazer o bem, e isso é o que importa.

Eu concordo com o fato de termos inúmeras pessoas necessitadas no Brasil mas Deus nos mandou para o Líbano. Estamos aqui para fazer a vontade dAquele que nos enviou, e assim como Jesus, demonstrando amor ao próximo, hospitalidade, boa vontade e respeito, independente de raça, crença e cultura. Viemos para ajudar, de alguma forma, aqueles que perderam tudo na vida, inclusive a esperança de que dias melhores virão. Aqui se vive um dia de cada vez, sem pensar no futuro.

Enquanto alguns permanecem na Síria e lutam no pais sem qualquer esperança, outros fogem da guerra que já matou quase 500 mil pessoas. A Síria tem falta de hospitais, médicos, medicações e condições sanitárias.

A cidade de Zahlé

Zahlé (em árabe: زحلة) é a 3ª maior cidade do Líbano e fica situada no Vale do Beca. A cidade é considerada uma das principais do vale e possui 120 mil habitantes, em sua maioria cristãos. É famosa pelo seu ar puro, seus hotéis, resorts e comida típica libanesa de alta qualidade. Para mim, que gosto de comidas típicas e diferentes, ficar em Zahlé será uma maravilha, pois a região é referência gastronômica no país.

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A cidade fica a 52 Km de Beirute, cerca de 1 hora de carro e mistura bem a cultura cristã com a cultura muçulmana. Muito normal ver uma mesquita próxima a uma igreja cristã.

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Um pouco mais de Zahlé

A região é maravilhosa e muito fértil conhecida também pelo cultivo de vinhedos e pela produção de excelentes vinhos. Mas isso não impediu que boa parte da sua população do vale partisse para Austrália, Américas e litoral do Líbano devido às guerras e às condições econômicas e políticas instáveis que o país enfrentou no passado.

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Vale do Beca

Vale do Beca, de Beca, do Becaa ou Beqaa (em árabe وادي البقاع) é um vale muito fértil no Líbano, situado cerca de 30 km de Beirute. O vale possui cerca de 120 Km de extensão e 16 km de largura, local que fica coberto de neve no inverno.

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No passado, os romanos denominavam o Vale do Beca de “Cesto de pão do Império”, e ainda hoje ele permanece sendo a mais importante região de agricultura do Líbano, com muitos xiitas libaneses. Uma grande parte dessa população provém da Síria, deslocando-se para Beqaa em busca de melhores condições de vida.

O vale possui alguns marcos importantes da nossa história como, por exemplo, as ruínas romanas antigas de Baalbek, uma cidade antiga nomeada para o deus Baal dos cananeus. Provavelmente conseguiremos visitá-la em nossa folga de sábado.

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