Último dia – Visita aos acampamentos

Tudo pronto para partir…malas feitas, contas acertadas e consultórios desmontados. Ainda faltava uma coisa…tinhamos que visitar as famílias e levar, pessoalmente, nosso amor e orações para os refugiados no Líbano.

E assim foi, nos dividimos em 4 grupos com nossos intérpretes e fomos visitar casas, tendas e campos de refugiados. Haja coração…

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Mais uma vez um choque de realidade….as casas são muito simples, geralmente com um tapete grande e quase sem móveis. Na maioria das vezes o colchão serve para dormir e para receber visitas. Sala, cozinha e dormitório ocupam o mesmo espaço. Água nem sempre é encanada, banheiro do lado de fora e energia elétrica muito limitada.

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Escutamos inúmeras histórias e oramos por aquelas pessoas. Uma das famílias que visitei, o pai estava muito doente e sem emprego há algum tempo. Na Síria, ele tinha uma vida tranquila e com algumas posses…possuía uma fazenda de gado que, durante a guerra, foi ocupada e destruída por rebeldes. Ele também me contou sobre o período traumático em que foi capturado e ficou 5 dias vendado, amarrado e apanhando. A parte mais triste dessa história, foi que seu irmão teve que morrer para que ele fosse libertado. Sem outra opção, há 5 anos atrás fugiu para o Líbano e hoje sofre com dores no corpo, problemas no sistema nervoso e, para piorar, sua filha faleceu recentemente e sua esposa está com depressão. Enfim, são muitas as dores deste homem mas sei que Deus pode confortar o seu coração e trazer a esperança de que dias melhores virão.

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6° dia – Alargando as tendas

Pela primeira vez pudemos ampliar nosso atendimento em dois centros comunitários, além do que já fazíamos na unidade em Zahlé. Foi realmente um dia muito especial para nosso time.

Na parte da manhã seguimos a rotina na mesma unidade, com a diferença de não termos mais a Fernanda na triagem que havia retornado ao Brasil. Marina fez a substituição à altura e eu fui para triagem nos consultórios. Lembro de receber este senhor muito simpático com os pés e as mãos todos rachados, além de muitas mulheres e crianças.

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Como teríamos atendimento médico externo parte da tarde, combinamos de distribuir somente 30 senhas para a equipe, ampliamos para 50 e, como o ritmo estava ótimo, finalizamos com 80 atendimentos médicos somente na parte da manhã.

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A tarde fomos para os centros comunitários localizados ao lado dos campos de refugiados. Lá funcionam uma escola infantil, lavanderia comunitária e oficinas de costura para atender a população necessitada. São cerca de 800 famílias nestes campos. Então pensei…uau! teremos muito trabalho por lá!

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Não foi diferente do que imaginávamos…muitas crianças doentes, idosos e pessoas que não conseguiriam ir até nós se não estivéssemos por lá. Foi interessante notar que os homens sentavam separado das mulheres enquanto aguardam o atendimento.

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Aproveitei os minutos que teríamos antes de começar os atendimentos e fui até as tendas para conhecer e fazer umas fotos. Tudo muito simples e em condições precárias. Algumas famílias possuíam até carro (que não é muito caro se compararmos ao Brasil) pois transporte publico naquela região é muito precário.

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Nesse meu desbravamento entre as tendas encontrei algumas crianças saindo para escola. Foi um momento de muitas risadas e bagunça…acho que agitei a molecada antes da aula…me chamavam de “teacher”, gritavam e posavam para as fotos.

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Sai junto com Marcos Amados para visitar a outra unidade…lá estavam Leo, Marieli e Yasser, atendendo sozinhos cerca de 80 pessoas no centro comunitário ao lado de outro acampamento de refugiados. Saíram de lá mais tarde, pois a fila estava grande.

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Ao retornamos ao primeiro acampamento nos deparamos com uma situação de “guerra”…pessoas implorando para serem atendidas não respeitando mais a ordem dos atendimentos. Eles sabiam que ficaríamos somente aquela tarde e precisavam garantir que seriam atendidos de qualquer maneira. Chorei ao ver as mulheres com seus bebês nas mãos sinalizando que estavam com febre…me imploravam para entrar na sala. Dani, nossa única pediatra, estava exausta e sobrecarregada tamanha a demanda naquele dia. Então, pedi ao Roque que nos ajudasse com os bebês. Ele prontamente me disse: “Manda!”. Curioso para nós e não para eles, apareceu um bebê com os olhos pintados…ela tinha apenas 11 dias de vida.

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Infelizmente tivemos que fechar os portões e essa tarefa foi difícil,  não tinhamos braço e nem tempo para continuar os atendimentos. As mães empurravam as crianças na grade para serem atendidas. Mesmo assim, não em que fomos embora as crianças vieram se despedir e correram atrás do nosso carro até sairmos do acampamento.

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Foi o dia em que mais atendemos. Foram 240 atendimentos médicos e 40 odontológicos. Para mim, foi o dia mais rico em ensinamentos e satisfação.

Descanso dos Guerreiros!

Depois de 5 dias intensos, nada mais justo que termos um final de semana para descansarmos. Aproveitamos para ir até Beirute, ou como eles dizem, Beiruuuuut e no domingo fomos até Baalbek, que fica há 40 km de Zahlé.

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Em Beirute conhecemos alguns pontos turísticos e visitamos algumas mesquitas. Notei que no mesmo local tinhamos mesquitas e igrejas cristãs lado a lado…uma maior que a outra, até parece uma disputa de imponência. Finalizamos o dia com a comemoração do meu aniversário no City Centre…com direito a bolo surpresa da equipe.

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Conhecer Baalbek foi emocionante e tenso ao mesmo tempo porque a cidade é controlada pelo Hezbollah. Visitamos as ruínas do templo de baal, deus dos cananeus e o que mais me chamou a atenção foi o local onde eram feitos os sacrifícios dos animais. Uma pedra muito alta para que todos os presentes pudessem ver o sacrifício e nas laterais 2 piscinas onde os animais eram lavados antes da oferta. Outro ponto interessante da visita foi o templo do deus Baco, deus do vinho, lá eram realizadas as festas e tudo quanto é tipo de orgia; ali deu-se a origem da palavra “bacanal” porque era a festa que acontecia no templo do deus Baco.

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Saindo das ruínas fomos até uma mesquita grande e com telhados dourados localizada ao lado do monumento “I love Baalbek”. Ela era controlada por um grupo extremista e o ambiente era bem opressor, com imagens de homens com fuzil, decoração bem pesada no interior, homens armados na porta da mesquita e vários aparatos defensivos no lado de fora, possivelmente para precaver-se de qualquer ameaça no local…um verdadeiro clima de guerra.

 

De volta a Zahlé, jantamos e fomos descansar para iniciarmos a próxima semana de trabalho.

 

5° dia – Passamos de 200…

Hoje foi record…175 atendimentos médicos e quase 50 odontológicos. Confesso que o cansaço começou a bater, mas permanecemos firmes e fortes em nossa missão.

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Recebemos diariamente muita gente sofrida, triste e doente…isso nos cansa muito emocionalmente. É claro que o desgaste físico conta bastante, por exemplo, Marina, Fernanda e parte dos dentistas ficam de pé 100% do tempo. Nosso almoço dura cerca de 30 minutos e tivemos dias que nem pausa para o café foi possível. A tradução do árabe também cansa bastante a mente.

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Na parte da manhã  veio um rapaz que, primeiramente, passou com a Marieli e se queixou de algumas dores no corpo mas estava com vergonha de mostrar o local para uma mulher. Então, encaminhamos o caso para o Roque que observou alguns hematomas na coxa do paciente. Ele nos relatou que recentemente havia sido capturado por um grupo de extremistas e havia sido espancado.

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Mais tarde apareceu uma jovem grávida apresentando um quadro de grave infecção. Encaminhamos o caso para o hospital da ONU que recusou o atendimento por falta capacidade. Então,  decidimos pagar sua internação em um hospital libanês para a realização de exames mais detalhados. Para nossa surpresa, ela arrancou o acesso das medicações e fugiu, abandonando o leito do hospital…não sabemos o motivo  mas, provavelmente, achou  que pagaria por tudo aquilo e não  entendeu o que estávamos fazendo. Pena…ficamos preocupados com ela.

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Bom, ainda falta falar de mais 2 médicos. Começo com a Dra Stephany, caçula do grupo, residente de clínica médica que decidiu encarar essa missão conosco. Quando não está com sono (desculpe a piada interna!), nos ajuda com as mulheres que necessitam de consultas mais íntimas…preparamos um consultório  todo reservado, com cortina de banheiro e tudo, para que os pacientes fiquem mais a vontade.

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Dra Lorraine, carioca com outras  missões  no currículo, veio reforçar nosso time na área  da cardiologia. “Baixinha mas decidida” como  diz a nossa farmacêutica aqui em Zahle, ela nos ajudou muito na padronização dos medicamentos e também  nos direcionamentos de pacientes com problema de pressão alta e alguns casos de infarte recente.

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Depois desta semana intensa de trabalho, teremos o final de semana de descanso e voltaremos renovados na segunda, onde faremos o atendimento no centro comunitário ao lado do campo de refugiados…um pouco mais desafiador.

4° dia – Almost Professional

Somos praticamente especialistas em atendimento…tudo corre perfeitamente bem. Acostumamos com o ritmo dos procedimentos, logística de medicamentos e compra de materiais, além de uma comunicação mais fluida entre todos os envolvidos na missão.

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Hoje veio até nós um senhor muito bem apresentado e muito triste. Ele nos solicitou um medicamento para uma doença muito rara, chamada doença de Crohn. Consultamos o valor e liberamos a prescrição…tratava-se de um remédio caro. Pedi ao Leo, médico que o atendia, para orarmos juntos por ele e, após a oração, ele não conseguiu conter as lágrimas…é claro que nós também. Importante notar na foto que ele possui uma marca no meio da testa. Estas são as marcas de um muçulmano fervoroso que ora por muito tempo com a testa no chão.

 

Chegou a hora de contar um pouco da rotina dos médicos. Claro que além de atenderem todos os pacientes, cada um tem sua peculiaridade.

Não poderia deixar de começar pelo Dr Roque, ortopedista e capitão médico da Polícia Militar de São Paulo, que sempre com muito bom humor, interage com os pacientes tornando a consulta leve e divertida! Defensor do paracetamol, entre um paciente e outro grita LIBADOOOO, que significa PRÓXIMO, em arábe. Perambula entre os consultórios médicos e odontológicos enquanto espera o paciente, demostrando toda a sua hiperatividade.

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Dra Daniela, pediatra de mão cheia, recebe a maior parte das crianças no ambiente que preparou, assim que chegamos, com bexigas diferentes, palitos com sabor, sua mala de roupas de doação, tudo para deixar o ambiente mais descontraído para as crianças que, de tão assustadas que chegam, muitas vezes nem notam…e choram a cada exame. Ela, junto ao marido, Roque, formam o casal “Robert”!!!! Ambos não podem ver minha aproximação para uma foto que já fazem pose!

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Dr Leo ou Doctor Leonardo from Brazil, como se apresenta a cada novo paciente, cirurgião gástrico, chegou aqui louco para usar seu bisturi mas até agora não conseguiu. Virou clínico geral, atendendo tudo quanto é tipo de paciente, inclusive muitas crianças, chegando a ser backup da nossa pediatra na missão.

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Dra Marieli, ou para os mais íntimos Malé, geriatra, ajuda muito nas prescrições médicas graças ao seu amplo conhecimento farmacológico. Junto ao seu marido, Dr Leo, foram os primeiro a testar o trabalho no posto comunitário tentando atender sem tradutores e sem infraestrutura. Também recebe todos os tipos de paciente, sempre muita tranquila, atenciosa e sensata nas medicações a serem usadas.

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Finalizamos o dia com 150 atendimentos médicos e 48 odontológicos…total de 198 atendimentos no dia. Eu disse….almost professional!

3° dia – Entramos no ritmo

Hoje começamos bem! Triagem a todo vapor, separando senhas distintas para tratamentos médicos e odontológicos. Assim, a “fila” dos médicos fluiu melhor, já que os tratamentos odontológicos geralmente demoram mais.

Fernanda e Yasser parecem que trabalham juntos há anos, mas que nada, isso é por conta da necessidade, que os obriga a terem sinergia, mesmo com idioma, métodos e cultura diferente.

 

Em meio a tantas pessoas, recebemos a Srª Fatema Hamzoro, mãe do nosso amigo Yasser, que atua na triagem. Ela precisava passar em alguns médicos e, pessoalmente, encaminhei-a aos doutores. Uma mulher guerreira e super simpática que, mesmo viúva e com 67 anos, teve que fugir com os filhos no meio de guerra. Nada mais justo do que ser bem tratada por nós….me disse que eu era parecido com seu filho e me abraçou inúmeras vezes dizendo em árabe: “Ele é meu filho!”.

 

Falando um pouco sobre o time, relato agora o trabalho dos dentistas, equipe muito esperada e procurada por aqui, já que montar um consultório odontológico não é um tarefa nada fácil…eu vi e participei dos preparativos no domingo quando chegamos.

Jorge, 74 anos, nosso dentista mais experiente da missão, um exemplo para qualquer dentista jovem, parecia um trator, cada um que sentava na sua maca nem precisava de tradutor…ele já logo iniciava os procedimentos e mandava ver na mímica…era um atrás do outro….sem descanso para o nosso Guerreiro Oriental….rs.

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Hellen, sem equipamentos, se virava no improviso, já falando árabe e ajudando os outros dentista com o inglês, focando nas cirurgias e extrações dos pequenos e grandes, procurava manter o ambiente estéril e livre de qualquer contaminação…o que era muito difícil dado o local aberto e muito trânsito de pessoas.

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Joelma, por sua vez, concentrava o foco nos pequeninos, fazendo jus ao seu tamanho e também ao tamanho da única cadeira que tinhamos…uma cadeira especial para esse tipo de tratamento, mas muito pequena para um adulto. Era um capricho só…a molecada saía feliz com o dente limpo, restaurado e pronto para outra.

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Durante o tempo de cadeira vimos algumas lágrimas….mas na saída vimos muitos sorrisos agradecidos!!!!

 

Da parte dos dentistas, o relato interessante foi de que muita gente não quis extrair seus dentes, mesmo em condições precárias. Hellen diz que entende que a extração é uma mutilação e quem nem sempre é fácil tomar esta decisão, mesmo…triste. Outra constatação é que as crianças aqui, as mais pobres, principalmente, não sabem que existe “a fada do dente”. Para quem vive essa realidade no consultório, extrações de dentes de leite sempre vêem com festa e uma caixinha para que a criança leve os dentinhos para casa. Aqui, eles não querem nem ver os dentes extraídos…ainda que estejam bons e tenham sido removidos apenas porque os permanentes já estão na boca por cima deles. Vejam algumas bocas que encontramos por lá…

 

Hoje fechamos o dia com quase 150 atendimentos. Bora ver o que temos para amanhã!

2° dia – Tudo começa a melhorar

Agora somos experientes em triagem, prescrição dos remédios locais e na velocidade de tradução do inglês para árabe e, para algumas pessoas da nossa equipe, do português para o inglês e do inglês para o árabe…isso é enrolado no começo, mas depois você acostuma. Já estamos até falando algumas palavras em árabe como: obrigado, próximo, abre a boca, senta e onde dói.

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Com toda essa “experiência” ficamos mais calmos e adaptados à rotina dos atendimentos e também com o fuso de 6 horas. Assim, não foi difícil perceber e se envolver com a tristeza demonstrada no olhar e nas atitudes das pessoas. Crianças traumatizadas e assustada que demoram a expressar um sorriso, mas enquanto eu não tinha um, mesmo que tímido, não me satisfazia…clicava e mostrava a foto de imediato no visor da maquina…pronto, lá vinha aquele sorriso que me rendeu algumas fotos maravilhosas

Creio que vale contar um pouco sobre o que cada um está fazendo…hoje vou começar com o time da triagem, ponto fundamental para o fluxo das pessoas e direcionamento dos casos especiais…amanhã falo dos demais.

Bom, tudo começa na triagem, se ela não funcionar o caos está instalado. Com a ajuda do Yasser (refugiado sírio) e da Fernanda, craque em administração hospitalar, separamos os pacientes e direcionamos às especialidades que temos: Cardiologia, Ortopedia, Pediatria, Geriatria, Gastrologia, Clinica Geral e Odontologia.

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É uma situação bem complicada, pois lá os pacientes têm que explicar, em árabe, o que estão sentindo e do que precisam….geralmente isso é feito debaixo de muito tumulto e todos querendo falar ao mesmo tempo. Lembro que estamos falando de uma família grande, geralmente sem o pai, que provavelmente morreu na guerra, e com muitas complicações de saúde. Um caos para Fernanda administrar…mas ela adora!

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Lá os pacientes recebem as fichas e são direcionados aos médicos e dentistas, quando não para ambos, causando um “entra e sai” de refugiados na área de atendimento. Esse controle é feito pela Marina, que quase enlouquece com os sírios tentando explicar o que querem em árabe, certos de que ela pode entendê-los. E para falar os nomes…Marina, sem sotaque árabe eles não entendem! Muitas vezes ela precisa pedir ajuda aos universitários.

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Interessante e triste notar que muitos deles são pessoas formadas e com cultura, mas que perderam tudo e vieram correndo para cá. Agora, estão sem emprego, sem casa e com as famílias despedaçadas. Hoje mesmo recebemos irmãs com a avó, cujos pais morreram na guerra civil da Síria.

Fechamos o dia com aproximadamente 160 atendimentos…melhor que ontem, mas não estamos com foco na quantidade e sim na qualidade dos nossos atendimentos.