Hoje começamos bem! Triagem a todo vapor, separando senhas distintas para tratamentos médicos e odontológicos. Assim, a “fila” dos médicos fluiu melhor, já que os tratamentos odontológicos geralmente demoram mais.

Fernanda e Yasser parecem que trabalham juntos há anos, mas que nada, isso é por conta da necessidade, que os obriga a terem sinergia, mesmo com idioma, métodos e cultura diferente.

 

Em meio a tantas pessoas, recebemos a Srª Fatema Hamzoro, mãe do nosso amigo Yasser, que atua na triagem. Ela precisava passar em alguns médicos e, pessoalmente, encaminhei-a aos doutores. Uma mulher guerreira e super simpática que, mesmo viúva e com 67 anos, teve que fugir com os filhos no meio de guerra. Nada mais justo do que ser bem tratada por nós….me disse que eu era parecido com seu filho e me abraçou inúmeras vezes dizendo em árabe: “Ele é meu filho!”.

 

Falando um pouco sobre o time, relato agora o trabalho dos dentistas, equipe muito esperada e procurada por aqui, já que montar um consultório odontológico não é um tarefa nada fácil…eu vi e participei dos preparativos no domingo quando chegamos.

Jorge, 74 anos, nosso dentista mais experiente da missão, um exemplo para qualquer dentista jovem, parecia um trator, cada um que sentava na sua maca nem precisava de tradutor…ele já logo iniciava os procedimentos e mandava ver na mímica…era um atrás do outro….sem descanso para o nosso Guerreiro Oriental….rs.

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Hellen, sem equipamentos, se virava no improviso, já falando árabe e ajudando os outros dentista com o inglês, focando nas cirurgias e extrações dos pequenos e grandes, procurava manter o ambiente estéril e livre de qualquer contaminação…o que era muito difícil dado o local aberto e muito trânsito de pessoas.

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Joelma, por sua vez, concentrava o foco nos pequeninos, fazendo jus ao seu tamanho e também ao tamanho da única cadeira que tinhamos…uma cadeira especial para esse tipo de tratamento, mas muito pequena para um adulto. Era um capricho só…a molecada saía feliz com o dente limpo, restaurado e pronto para outra.

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Durante o tempo de cadeira vimos algumas lágrimas….mas na saída vimos muitos sorrisos agradecidos!!!!

 

Da parte dos dentistas, o relato interessante foi de que muita gente não quis extrair seus dentes, mesmo em condições precárias. Hellen diz que entende que a extração é uma mutilação e quem nem sempre é fácil tomar esta decisão, mesmo…triste. Outra constatação é que as crianças aqui, as mais pobres, principalmente, não sabem que existe “a fada do dente”. Para quem vive essa realidade no consultório, extrações de dentes de leite sempre vêem com festa e uma caixinha para que a criança leve os dentinhos para casa. Aqui, eles não querem nem ver os dentes extraídos…ainda que estejam bons e tenham sido removidos apenas porque os permanentes já estão na boca por cima deles. Vejam algumas bocas que encontramos por lá…

 

Hoje fechamos o dia com quase 150 atendimentos. Bora ver o que temos para amanhã!

Um comentário sobre “3° dia – Entramos no ritmo

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