Agora somos experientes em triagem, prescrição dos remédios locais e na velocidade de tradução do inglês para árabe e, para algumas pessoas da nossa equipe, do português para o inglês e do inglês para o árabe…isso é enrolado no começo, mas depois você acostuma. Já estamos até falando algumas palavras em árabe como: obrigado, próximo, abre a boca, senta e onde dói.

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Com toda essa “experiência” ficamos mais calmos e adaptados à rotina dos atendimentos e também com o fuso de 6 horas. Assim, não foi difícil perceber e se envolver com a tristeza demonstrada no olhar e nas atitudes das pessoas. Crianças traumatizadas e assustada que demoram a expressar um sorriso, mas enquanto eu não tinha um, mesmo que tímido, não me satisfazia…clicava e mostrava a foto de imediato no visor da maquina…pronto, lá vinha aquele sorriso que me rendeu algumas fotos maravilhosas

Creio que vale contar um pouco sobre o que cada um está fazendo…hoje vou começar com o time da triagem, ponto fundamental para o fluxo das pessoas e direcionamento dos casos especiais…amanhã falo dos demais.

Bom, tudo começa na triagem, se ela não funcionar o caos está instalado. Com a ajuda do Yasser (refugiado sírio) e da Fernanda, craque em administração hospitalar, separamos os pacientes e direcionamos às especialidades que temos: Cardiologia, Ortopedia, Pediatria, Geriatria, Gastrologia, Clinica Geral e Odontologia.

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É uma situação bem complicada, pois lá os pacientes têm que explicar, em árabe, o que estão sentindo e do que precisam….geralmente isso é feito debaixo de muito tumulto e todos querendo falar ao mesmo tempo. Lembro que estamos falando de uma família grande, geralmente sem o pai, que provavelmente morreu na guerra, e com muitas complicações de saúde. Um caos para Fernanda administrar…mas ela adora!

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Lá os pacientes recebem as fichas e são direcionados aos médicos e dentistas, quando não para ambos, causando um “entra e sai” de refugiados na área de atendimento. Esse controle é feito pela Marina, que quase enlouquece com os sírios tentando explicar o que querem em árabe, certos de que ela pode entendê-los. E para falar os nomes…Marina, sem sotaque árabe eles não entendem! Muitas vezes ela precisa pedir ajuda aos universitários.

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Interessante e triste notar que muitos deles são pessoas formadas e com cultura, mas que perderam tudo e vieram correndo para cá. Agora, estão sem emprego, sem casa e com as famílias despedaçadas. Hoje mesmo recebemos irmãs com a avó, cujos pais morreram na guerra civil da Síria.

Fechamos o dia com aproximadamente 160 atendimentos…melhor que ontem, mas não estamos com foco na quantidade e sim na qualidade dos nossos atendimentos.

8 comentários sobre “2° dia – Tudo começa a melhorar

  1. De longe fisicamente mas envolvida no trabalho da missão e orando a Deus por vocês pra que ELE restaure as forças e possam dar o melhor de cada um em favor do próximo.

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